Santa Jazz, festival por excelência

Santa Jazz, festival por excelência

Dentro da atual crise em que passa a sociedade brasileira, a cultura foi um dos setores mais atingidos. Crise que leva aos produtores culturais a buscarem novos caminhos para seus projetos, agora mais no sentido empresarial, mais negociada de uma forma que atenda aos investidores e públicos. O Santa Jazz é um dos melhores exemplos desse novo cenário, conseguindo aliar não só a excelência em estruturar o evento, como em disponibilizar ao seu público uma grande música e também oferecer uma gastronomia de qualidade.

Confesso já tinha uma vontade para lá de curiosa em participar do Santa Jazz. Por ter nascido na fronteira com ES, Excelencia montsempre tive muito carinho pelo estado e em especial com o jazz capixaba. Santa Teresa, encravada na serra capixaba, a conheci em dois tempos:
o primeiro, de cunho nostálgico, me remete há trinta anos atrás e carrega a memória dos colibris e os vinhos de jabuticaba e laranja;
o segundo, no momento presente, está alicerçado no jazz, blues e bossa do Santa Jazz, festival que ocorreu entre os dias dois e quatro de junho.

Através do Dan Mendonça (um dos três curadores do evento) que conheci pelas andanças dos festivais de jazz, fui apresentado ao produtor e curador, José Olavo Macedo, que teve a gentileza em me convidar a fazer a cobertura da sexta edição do Santa Jazz. A tempo: o terceiro curador é Stênio Matos, que também é produtor do festival de Rio das Ostras.

Não estive presente nas cinco primeiras edições, mas o que vi, presenciei e participei nesses três dias, posso sintetizar o festival como um evento maduro e pronto para alçar grandes vôos. Cheguei a esse conceito por essas razões:

Primeiro, pela estrutura de organização do evento está calcada em duas empresas: Rota Eventos, que cuida da parte de gestão e da produção dos shows e a Iamonde, responsável pela montagem das tendas, stands de lojas, restaurantes e de dois palcos (Fames e Principal);
Segundo, o Festival se tornou estratégico dentro do cenário cultural do Espírito Santo, porisso contou com os patrocínios da Prefeitura de Santa Teresa, BanesCard, Unimed e da Cesan; e teve também a participação da Rede Gazeta;
Terceiro, a presença de uma plateia participante e envolvida com a música e seus artistas, presenciando e vivenciando tudo dentro de um clima de paz e harmonia, dentro e fora do evento, sem nenhuma ocorrência policial.

O Santa Jazz está posicionado como um evento de qualidade com a missão de atrair um público com poder aquisitivo disposto a desfrutar não só o jazz, blues e bossa, mas também a alta gastronomia, compostas pelos restaurantes da cidade, como também cervejas artesanais e vinhos, chilenos, locais e em especial, o de jabuticaba.

Quando os portões do Parque de Exposições se abriram, às sete da noite de sexta, lá estava eu, munido de um sentimento que remete a misto de felicidade e surpresa por estar aí nesse momento. E por lá passaram artistas como Guinga, Joyce, Ed Motta, Lupa Santiago, Dudu Lima e Toninho Horta, entre outros, sem falar de grande nomes do jazz capixaba.

Aqui termino o primeiro movimento. A seguir, virão as críticas dos shows que permearam o festival. A primeira publicação será sobre Ed Motta, que tem a pena de Luiz ‘Salsa’ Oliveira. Aguardem.