Tributo de Hamleto a Mileto, quarenta anos depois

Tributo de Hamleto a Mileto, quarenta anos depois

O pianista, compositor, arranjador e produtor musical Hamleto Stamato, faz uma emocionante homenagem a seu pai que faleceu em 1976, quando ele tinha apenas oito anos de idade, ao recuperar tecnicamente uma fita cassete gravada pouco antes de sua morte e guardada desde então. O CD “Tributo a Mileto” chega ao mercado agora em 2016, ano que se completa 40 anos de morte do seu pai que também se chamava Hamleto Stamato. Conhecido como Mileto, ele foi um brilhante saxofonista e flautista, que integrava as bandas de Hermeto Pascoal e Martinho da Vila nos anos 70.

O sonho de gravar este CD só foi realizado no ano passado, através do sistema de financiamento coletivo. Mas foi em 1997 que Hamleto conseguiu digitalizar as sete composições do seu pai, gravadas informalmente, apenas a título de registro, em 1975 numa fita cassete. Nela, Mileto tocava a harmonia no violão e o seu amigo Tião tocava as melodias no trombone. O pianista utilizou esta fita como base e assim conseguiu realizar o sonho de tocar com seu pai e mostrar um pouco da obra dele.

Além das sete composições de Mileto, que não tinham nome e foram batizadas como “Pai 1”, “Pai 2”, “Pai 3”, “Pai 4”,“Pai 5”, “Pai 6” e “Pai 7”, o Tributo traz as autorais de Hamleto Stamato: “Tio Walter”, “Pro Zé Romeu”, ”Mãe Ana” e “Samba pro pai”. Na faixa “Pai 5”, Hamleto deixou a introdução apenas com o áudio da fita original, onde pode-se ouvir a voz do pai, na contagem para a gravação.

Mileto no violão, Tião no trombone e Hamleto Stamato (que participa das onze faixas), juntaram-se a outros grandes nomes da nossa música neste projeto. Entre eles o mestre Raul de Souza (trombone), Widor Santiago (sax tenor), Altair Martins (trompete), Idriss Boudrioua (sax alto), Erivelton Silva (bateria), Ney Conceição (baixo), Robertinho Silva (percussão), Nelson Faria (violão). O CD conta ainda com o quarteto de cordas formado por Felipe Prazeres e Márcio Sanches (violinos), Ivan Zandonade (viola) e Marcus Ribeiro (cello), tendo Vittor Santos no trombone e na arregimentação das cordas e regência.

Além de assinar os arranjos e tocar, Hamleto Stamato fez a produção, a digitalização do áudio original (fita cassete basf-60) e a mixagem e masterização. Nani Palmeira fez a edição de click (áudio original) e Amaury Machado a limpeza de ruídos (áudio original). O projeto gráfico é de Sergio Richiden. Este rico e sensível trabalho tem sua história contada pelo próprio Hamleto no encarte, e um trecho emocionado também nos emociona:

Esta é a concepção deste trabalho, onde posso mostrar as composições do meu pai, sentir que ele está presente tocando e gravando comigo e assim ligados espiritualmente na eternidade. Pai, muito obrigado por esta herança que você me deixou.

Hamleto Stamato

Filho do saxofonista e flautista homônimo, que integrava a banda de Hermeto Pascoal, Hamleto formou-se Bacharel em Piano pela Universidade Estácio de Sá no Rio de Janeiro e fez cursos de aperfeiçoamento técnico com os professores Luiz Antonio Gomes, Sônia Maria Vieira e curso de harmonia e arranjo com o Maestro Vittor Santos.

Iniciou sua trajetória profissional no final dos anos 80 e desde então é reconhecido como um dos mais talentosos pianistas de sua geração, tendo tocado com ícones como Claudia Telles, Tim Maia, Danilo Caymmi, Rosa Passos, Pery Ribeiro, Marisa Gata Mansa e Leny Andrade. Com inúmeras apresentações e shows no exterior, e grandes produções em estúdio, vem projetando seu nome em diversas áreas, inclusive como arranjador e produtor. Em 2005, foi produtor musical e arranjador do programa Fama, da Rede Globo e trabalhou no programa Estação Globo como pianista e arranjador.

Em 2003, lançou seu primeiro trabalho solo, o Speed Samba Jazz que logo se transformaria em série, com cinco volumes gravados. A série Speed Samba Jazz recria a atmosfera dos trios de samba jazz do final da década de 60. E entre essa trajetória, em 2009, gravou o seu primeiro DVD, Gafieira Jazz, que lhe rendeu uma turnê na Europa com apresentações na Midden em Cannes, passando por doze países com cerca de dezoito concertos em festivais e clubes de jazz. A série Speed Samba Jazz teve seu volume três indicado ao prêmio Tim em 2007, na categoria melhor grupo instrumental.  (Material de divulgação)