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Uma Noite com Pat Metheny Quartet na Flórida (St. Petersbourg)

Paulo Cesar Nunes (especial para o site Clube de Jazz)

INTRO

No fim de janeiro zarpei para Tampa, Florida, para me juntar aos fanáticos que anualmente acompanham o Cruise to The Edge, cruzeiro de rock progressivo cujo anfitrião é a banda inglesa Yes. Mas antes dessa etapa tivemos uma noite especial na bela cidade de St Petersburg onde, numa terça (01/02), houve a apresentação do multipremiado guitarrista Pat Metheny.

Era uma oportunidade rara : conhecer no mesmo dia, parte de St Pete (como é chamada pelos locais) e um dos mais maravilhosos teatros onde pus meus pés, o belíssimo Mahaffey Theather, que fica ás margens da Tampa Bay, bem colado ao museu Salvador Dalí, de arrojadas linhas arquitetônicas. Chegamos com dia claro já que o bom hábito americano de começar cedo os eventos nos obrigou. O teatro tem um refinado restaurante onde a atração principal teve um jantar com convidados e com a platéia vip, uma hora antes do show, uma praxe neste teatro. E passando pouca coisa das 19h30, o show começou.

SHOW
Pat Metheny-mont
Com formação diferente desde a última vez que esteve no Brasil, Metheny arregimentou para o contrabaixo a compenetrada malaia Linda Oh, que já esteve no Brasil no BMW Festival. Metheny ressalta que “ela tem ótimo tempo, profundo conhecimento harmônico e um grande som no instrumento, mas tem algo mais acontecendo com ela“. No piano, o inglês Gwinlym Simcock, que vem encantando as plateias por onde passa esta troupe. O mexicano Antonio Sanchez está com Pat há mais de 15 anos e o patrão continua em êxtase : afirma que “ele é o baterista que pensei que nunca nasceria” . Diferente da linha habitual de sempre fazer música nova nos shows desta vez ele vem mudando o set list entre temas dos últimos 40 anos, como disse ao Ledger Enquirer na semana do show. Ele diz que este trio cresceu ouvindo suas composições e sente que podem fazer qualquer coisa com elas, “fazem seus próprios takes“. Assim a cada vez que toca algo mais antigo ele ainda se diverte com elas.

Como era óbvio, a música tocada por eles saiu divina naquele templo excepcional, com qualidade de som espetacular e a respeitosa platéia vidrada nas execuções. Pat começou com sua costumeira execução meio improvisada na pikasso guitar, introdução que prepara a platéia para a viagem sonora. Entram os músicos e Linda Oh introduz So It May Secretly Begin; Sanchez e Simcock acompanham o ritmo e aí não tem jeito, a platéia se manifesta quando a guitarra elétrica começa suas frases embaladoras que imediatamente identificam o tema.

Esta inconfundível assinatura tem o efeito dos hits do mundo pop, Pat conquistou isso nestes mais de 40 anos. Daí pra frente foi um manancial de suspiros e emoções, aplausos entusiasmados, com muito pouco falatório, nada de introduções e explicações técnicas. Pat Metheny apenas queria tocar sua música. Segue com Have You Heard, um petardo com intenso brilho de Pat, Simcock e Sanchez nos solos. Desfilam James, What do You Want, e por aí vai. Não vamos ficar aqui narrando o set list e os solistas mas imaginem o que estes quatro furiosos fizeram ao longo de duas horas e meia de show, conhecendo o repertório ou não.

Como vem fazendo nos últimos anos Pat tem seus duos com cada um dos músicos, para nós foi uma grata surpresa ele tocar Insensatez de Tom Jobim, com Linda Oh. E com Gwinlyn redefine a tour de force Phase Dance, quando troca o violão pela elétrica com o tema rolando, ficou bonito demais. E para terminar esta parte um dos pontos altos do show, seu duo com Antonio Sanchez foi avassalador. Escolheram mais uma composição arrasadora, Question and Answer, do álbum homônimo de 1990. Aqui Metheny abusa da synth guitar, as vezes aveludado e gentil, mas nervosamente mudando para dissonantes bem rasgadas, com Sanchez absolutamente sincronizado ao caos, um show! Os dois soam como um quarteto ou quinteto, um verdadeiro esculacho. Os quatro pisos de plateia aplaudem de pé!

Voltam para o bis, com o costumeiro medley acústico, que tem as incidentais Minuano 6/8, Praise, Midwestern Night’s Dream e a maravilhosa This is Not America, entre outras. A banda retorna e terminam com Song for Bilbao, com uma surpresa: um belíssimo solo da Linda Oh no baixo elétrico. Um arraso! Faltaram temas? Claro que sim, o repertorio é gigantesco e a platéia sorve com prazer porém chegou ao fim, fazer o que? Viajamos 130 Km de Orlando a St Pete, e na volta os sons ecoam nos ouvidos. Afinal, foi uma noite com Pat Metheny, a música agradece.

 

The Mahaffey Theather – St Petersburg