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Álbum de Cliff Korman e Carlos Malta resgata obra autoral de Paulo Moura

Augusto Pio, Estado de Minas, 10/02/2026

Paulo Moura (1932-2010) é um dos músicos mais importantes do Brasil. O maestro, compositor, arranjador, saxofonista e clarinetista ganha homenagem de dois pupilos: os instrumentistas Carlos Malta e Cliff Korman. O duo acaba de lançar o álbum “Saudade do Paulo” (Biscoito Fino), com oito temas, sete compostos pelo homenageado e a faixa-título de Korman, o choro que batiza o disco.

Profundos conhecedores da obra do mestre, os dois reinterpretam ao piano e sax sete criações autorais dele. Apenas “Saudade do Paulo” foi gravada com Cliff ao piano e Carlos Malta na flauta.

Tudo começou quando Cliff ligou para Carlos contando que tinha em mãos composições de Paulo Moura. Amigo da viúva Halina Grynberg, o pianista cuida do acervo do mestre. Ao ouvir a proposta de gravar um disco, Malta topou na hora.

“A gente fez o reconhecimento de todo o território estabelecido pelas composições dele. Cada melodia é espetacular”, revela Malta.

Fizemos um show no Rio para dar uma experimentada no repertório. Essa situação não tinha a ver com o álbum, mas a gente colocou as músicas no meio do show para ir esquentando. Então, fomos para o estúdio e pintou um negócio legal: uma viagem em cada música, como se cada uma fosse um quadro, uma história diferente”, revela.

 

 

O álbum é um tributo à melodia brasileira, explica Malta. “A música do Paulo parece canção de subúrbio, uma valsa”, diz, citando “Linda” e “Tempos felizes”. Mas Moura também tinha seu lado jazzístico, o que se nota na faixa “Guadaloupe”.

Mestre dos sopros, Malta é ás da flauta, saxofone, clarinete e clarone. Explica que optou pelo sax soprano porque foi esse o instrumento de Paulo Moura em boa parte de sua carreira, embora no final ele se dedicasse ao clarinete. “Quando o vi tocando sax soprano nos anos 1970, eu disse: quero tocar este instrumento”, recorda.

Simbiose perfeita

O álbum, ao mesmo tempo, é espontâneo e parece música para sala de concerto, diz Carlos Malta. “Sax e piano têm simbiose perfeita, uma conversa muito linda, bem estabelecida. Eu e Cliff já temos uma bagagem e o fato de termos convivido o Paulo ajudou muito.”

Malta estudou com Paulo Moura no Instituto Villa-Lobos nos anos 1970 e 1980, antes de fazer parte do grupo de Hermeto Pascoal. Americano radicado no Brasil, Cliff Korman criou duo com Paulo Moura nos anos 1990, quando ainda morava nos Estados Unidos. O saxofonista introduziu o pianista no universo da música brasileira e os dois formaram um duo, só desfeito com a morte de Moura.

Korman observa que Paulo nunca fez um projeto com foco em seu próprio repertório. “Resolvemos gravar o disco para para homenageá-lo como compositor e também para dar continuidade ao que ele nos passou”, afirma.

 

 

Malta e Korman trabalham juntos há décadas. “Fomos amadurecendo nossa relação musical até chegar o momento em que seria muito interessante considerar uma homenagem ao Paulo. Carlos tem relação forte com Paulo como saxofonista, como aluno e como referência. Carlos é um mestre da música de sopro brasileira”, elogia.

 

FAIXA A FAIXA

“Guadaloupe” (Paulo Moura)
“Tarde de chuva” (Paulo Moura)
“Fibra” (Eloir Moraes e Paulo Moura)
“Tempos felizes” (Paulo Moura)
“Lavadeira’s blues” (Paulo Moura)
“Linda” (Paulo Moura)
“Saudade do Paulo” (Cliff Korman)